Memórias de um Retrogamer 2 – Jokenpô e verão

mãe e filhoSemana passada, ao ir almoçar, me deparei com um garotinho e sua mãe andando na rua, e o menino falava sobre o PS3, como o console era legal e divertido, e a mãe dele terminou o assunto falando “nada de PS3, nem 2 nem meio. Tá muito caro!”. Ver essa cena me motivou ainda mais a escrever este capítulo, pois eu passei por isso também, assim como muito gamer em sua infância.

minigames

Guilty pleasure

No capítulo anterior, contei como foi meu primeiro contato com os videogames, através do Atari. No final das contas, adorei os jogos eletrônicos, até chegar ao ponto de comprar mini-games, aqueles velhos joguinhos de LCD com objetivos simples como desviar dos carros ou pegar os objetos caindo do topo da tela sem deixar que cheguem ao chão. Ou seja, tudo tranquilo enquanto eu estava curtindo o Atari e os minigames, até começar a comprar revistas de videogame.

revista videogameNa época, ver revistas como Videogame ou Ação Games era uma experiência e tanto. As revistas eram bem produzidas, recheadas de screenshots, artworks e amor por jogos, tudo de uma forma tão bem balanceada, que deixava o leitor com água na boca para jogar. A revista Videogame até mostrava os jogos de Atari, mas era inevitável comparar os pixelados do velho 2600 com a qualidade dos consoles da Nintendo e da Sega. Era covardia.

Como se não bastassem as revistas, tinha ainda o agravante dos amiguinhos na escola (eu estava na 1º série do ensino fundamental) falando sobre seus Phantom Systems, Dynacoms e Master Systems. Com isso não demorou muito para que eu enchesse o saco dos meus pais, implorando por um videogame novo. Qual deles eu escolhi?

Sega Master System

Aí está ele: o bom e velho Sega Master System!😀

Eu não me recordo bem o porquê do Master System, mas acredito que um dos motivos foram as inúmeras propagandas da TecToy, e os jogos que eu via nas revistas para este console me pareciam bem melhores e mais divertidos do que os do Nintendinho.

Os olhos do mal

Quico: Mamãããããããeee....!

Cheguei a cogitar o Mega Drive, pois além de ter Sonic, meu primo tinha um e eu achava aquele videogame fantástico, o problema era que Altered Beast me amedrontava demais na época, morria de medo da tela onde os olhos do humano e do lobo apareciam em tela cheia na TV (É, eu sei, eu era uma galinha). Assim optei pelo 8-bits da Sega.

Eu queria ganhar o console no dia das crianças de 91, mas meus pais falaram que estavam sem grana, que o console era caro demais, e etc. Mas sem saber, havia conquistado meus pais de tal forma que no natal seria inevitável ganhar o Master.

Papai NoelNa época, eu ainda acreditava no Papai Noel, com uma fé inabalável. Escrevia cartas para ele por mim e pela minha irmãzinha que ainda não sabia escrever, e todo dia 24 era uma ansiedade incontrolável, esperando que o bom velhinho deixasse os presentes debaixo da árvore de natal. Bons tempos.

Assim, quando minha mãe disse que estavam sem grana, eu, cheio de fé no bom velhinho, respondi: “Não tem problema mãe. Eu espero até o natal porque aí o papai não precisa gastar dinheiro, já que o Papai Noel pode dar um Master System pra mim”. Até hoje minha mãe fala que achou aquela minha fé tão “bonitinha”, que eles se empenharam em não apenas comprar um Master System, mas o pacote completo.

Master System II

Master System II com Alex Kidd + Jogos de Verão de grátis!

E assim no natal daquele ano, à meia noite do dia 24/12, ganhei dos “bons velhinhos” o Master System II completo com dois controles, Alex Kidd in miracle world na memória, cartucho Jogos de Verão incluso e a pistola Light Phaser.

E que alegria, não consegui dormir aquela noite, acordei bem cedinho para jogar Alex Kidd até enjoar e jogar o jogos de verão. Esse último não era muita novidade, pois no Atari havia jogabilidade similar, mas Alex Kidd foi A descoberta. Aquele menino macaco era muito carismático, dava gosto de controlar. Além disso ele tinha uma história bem definida no manual, parentes e amigos precisando de ajuda. Havia os vilões, veículos como a motinho e o helicóptero, poderes como o bracelete e o pó de invencibilidade…enfim era informação demais para um garoto de 7 anos acostumado com a simplicidade do Pitfall, e o mundo do Alex Kidd era como viver um sonho!

Alex Kidd

Talvez o jogo que mais me encantou no Master System

Foram 2 anos curtindo o SMS e me tornando um Seguista. Nesse período com o Master não ganhei mais nenhum jogo pois meus pais achavam que eu enjoaria rápido, além de ser caro comprar um jogo novo. Foi aí que descobri outra maravilha que infelizmente não se tem mais hoje em dia: as locadoras.

A pirataria não rolava solta na época, então alugar jogos era a forma mais econômica de conhecer as novidades no mundo dos games. Assim conheci outros tesouros do Master, como Mônica no Castelo do Dragão, Phantasy Star, Wonderboy, Super Futebol, Sonic 1 e 2, Alex Kidd in Shinobi World, entre outros jogassos da Sega.

Foi um período maravilhoso, e o Master System é um dos consoles que mais curto, me lembrando dele até hoje com muito carinho. Tenho ele ainda, bem guardado, mas um pouco velho infelizmente. Ainda funciona, mas não tão bem como antes.

Com isso me tornei Seguista, e parecia ser inevitável adquirir um Mega Drive (sem Altered Beast) em seguida, no natal de 1994. Porém, o mundo dá voltas. E um certo bigodudo me convenceria a me juntar ao lado Big-N da força.

Por hoje é só pessoal. Até o próximo capítulo!🙂

Curiosidades desse post:

  • Mônica no castelo do Dragão

    Mônica no castelo do Dragão: Clássico!

    Sega Master System foi um console criado pela Sega em 1985 com o nome Mark III, e lançado em 1989 pela Tec Toy no Brasil. Esse console de terceira geração foi uma segunda tentativa da Sega para entrar no mercado de consoles domésticos, dominado pela Nintendo no Japão e nos EUA. Não teve muito sucesso nos mercados principais, mas foi muito bem sucedido na Europa e no Brasil, sendo que a Tec Toy fabrica o Master System até hoje.

  • Jogos de plataforma favoritos: Alex Kidd in Miracle World, Asterix, Psycho Fox, Sonic The Hedgehog, Alex Kidd in Shinobi World, Wonderboy, Mônica no castelo do Dragão, Castle of Illusion, Ninja Gaiden.
  • Foi neste console que tive primeiro contato com RPGs, com os jogos Phantasy Star e Ys. Odiei o Ys na época, pois não sabia inglês. Phantasy Star curti, apesar de ter achado ele muito complexo. Hoje em dia sou fã dessas duas franquias, em especial Ys.
  • Outros jogos que curti foram Jogos de Verão, OutRun, Super Futebol, Rambo III, Shooting Gallery e Bonanza Bros.
  • Apesar do medo na infância, hoje sou fã de carteirinha do Altered Beast. O Mega drive é um dos meus consoles prediletos, e lamento muito não ter tido a oportunidade de tê-lo. Quem sabe um dia não me arrisco a pegar um usado no Mercado Livre, ou compro aquele MD portátil da Tec Toy…
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6 respostas para Memórias de um Retrogamer 2 – Jokenpô e verão

  1. Pingback: Memórias de um Retrogamer | Side Scroll Castle

  2. GLStoque disse:

    Nunca tive um master.
    Comecei com o NES.
    Papai Noel era o cara.

    • Eu nunca tive um NES, o que é uma pena porque perdi muitos clássicos na época. Megaman por exemplo, fui conhecer só no SNES pelo Megaman X e depois o 7. Foi na emulação que pude descobrir o quão bom era o megaman de NES, além de outros clássicos, mas enfim tb pude jogar mto game loco no SMS tb.
      Rsrs concordo, Papai Noel era o cara msm! Incrível como o natal fica mais divertido com a criançada acreditando no bom velhinho.🙂

  3. Sabat disse:

    Rapaz, muito bom o texto😄

    Bela história essa que vc contou viu adinan😄 Quando somos crianças cara, não temos nem noção do que realmente acontece a nossa volta né! Mas fico imaginando vc quando chegou em casa e viu o pacotão la debaixo da árvore de natal e pensou ESSE GORDINHO DA BARBA BRANCA É O CARA kkkkkkkkkkkk

    Eu comprei um Phantom System em 1990, e foi uma história muito legal também😄
    Quem sabe um dia eu conto ela la no retroplayers kk

    • Rsrsrs valeu, Sabat! Pois é, quando crianças somos sem noção total, se não me engano cheguei até a me gabar dizendo que o meu Master System foi feito no pólo norte ou algo parecido rsrsrs.

      Tomara que você conte lá no retroplayers sua história com o Phantom System, fiquei curioso agora. Vou ficar no aguardo.😀

  4. aki é rock disse:

    Belas historias pessoal o bom velhinho nunca foi muito legal comigo eu ja era meio crescidinho e ja não acreditava muito nele na epoca mas ja tive os dois videogames na epoca .Meu irmão acabou comprando pra gente joguei muita coisa no master mas no nes não tive muita oportunidade de jogar os classicos mas ate´hoje eu fico de boca aberta quanto a criançada acreditar no bom velhinho viu é muito legal isso da parte deles.

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